Presidente do PDT confia em reversão de votos sobre PEC: “Trabalharei para isso”

Lupi quer mudança de posição de bancada em votação da PEC– O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse nesta quinta-feira (04) que a bancada do partido na Câmara dos Deputados pode mudar de posição no segundo turno da votação da PEC dos Precatórios, marcada para a próxima terça-feira (09).

Lupi disse ser contra a PEC, a qual classificou como “um cheque em branco a um governo desqualificado”.

Na sessão em que a proposta de emenda foi aprovada em primeiro turno, a posição dos pedetistas foi decisiva para o resultado. Dos 21 deputados da legenda presentes, 15 votaram a favor.

Para aprovar o texto, eram necessários 308 votos, e foram consignados 312 favoráveis.

“Vou conversar com cada um, estou há 41 anos nesse partido, nunca tive outro. O André é meu amigo há 35 anos, o Wolney há 30 anos, então tenho certeza que eles vão ouvir minhas ponderações. Dar um cheque em branco ao governo Bolsonaro nesse momento é um crime contra a sociedade brasileira. É possível acontecer a mudança de posição da bancada e eu trabalharei para isso”.

Indignação de Ciro Gomes

A atuação dos pedetistas na votação desagradou o presidenciável do partido, Ciro Gomes, que resolveu suspender a pré-candidatura ao Planalto até a realização do segundo turno de votação.

“É compreensível a insatisfação dele, porque a aprovação dessa PEC é como dar um cheque em branco para Lira e Bolsonaro. Por outro lado, os deputados se sentiram pressionados. Meu papel agora é botar água nessa fervura”.

Carlos Lupi descartou a possibilidade de Ciro Gomes não ser candidato à presidência pelo PDT.

“Não há nenhuma chance, o Ciro Gomes está em casa no PDT, um amigo que ganhei para a vida.”

Votação polêmica

Sob argumento de conseguir recursos para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400 até dezembro de 2022, a PEC dos Precatórios autoriza o governo a adiar pagamento de dívidas que a Justiça mandou quitar imediatamente e flexibiliza o teto de gastos, estabelecendo uma nova fórmula.

“O governo teve recorde de arrecadação, não precisa usar esse expediente para conseguir dinheiro para pagar o benefício”, observa o dirigente o presidente do PDT.

Lupi explicou o porquê dos 15 votos favoráveis à proposta de emenda: os deputados pedetistas estavam pensando em minimizar danos para a população e sobretudo para os professores e professoras.

“O compromisso do nosso ex-líder André Figueiredo (PDT-CE), indicado pelo nosso líder Wolney Queiroz (PDT-CE), foi no sentido de mediar um acordo entre sindicatos de professores e a Mesa para reduzir o prazo de parcelamento do pagamento dos precatórios, de 10 para três anos. Eu cheguei a pedir para eles não colocarem como questão partidário, porque acima das negociações na Câmara, tem a nossa posição política. O PDT é contrário ao governo Bolsonaro, são que ele representa, as ideias que ele representa e ao não cumprimento de contratos estabelecidos. Mas a coisa já estava em curso.”

PDT vai ao STF

Ele confirmou que o PDT entrou no Supremo Tribunal Federal contra as mudanças que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), fez no encaminhamento da votação, permitindo votos remotos, quando a obrigatoriedade é presencial. O objetivo é anular a sessão.

“O que houve e que estamos questionando na Justiça, foi que o senhor Presidente, que para mim é o Líder do Governo na Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira (PP-AL) muda uma decisão tomada pela Mesa (Diretora) da Câmara que se comprometeu a não ter mais projetos de emenda à Constituição por voto remoto. Tá assinado por todos da Mesa. Ele (Arthur Lira) poucas horas antes da votação decidiu monocraticamente com a sua própria assinatura aceitar esses votos remotos. É esse o questionamento que a gente faz porque julgamos que foi uma fraude.”

O presidente trabalhista argumentou que o próprio Lira admitiu a ilegalidade da votação em entrevista à própria CNN Brasil: “E ele na entrevista reconhece isso e diz: ‘Olha, na segunda-feira eu vou reunir a Mesa para confirmar o voto remoto, deu toda a justificativa pelo erro que cometeu. Por esse erro, nós entramos no STF pedindo a nulidade dessa votação por vício (jurídico) insanável”.

“Essa é a etapa da luta jurídica que nós estamos fazendo em várias etapas contra o governo Bolsonaro e tudo que ele representa de atraso para o Brasil.”

Solidariedade de lideranças políticas

Diversas lideranças políticas do país saíram em defesa da postura de Ciro em relação a chamada PEC dos Precatórios.

“Cumprimento o meu amigo Ciro Gomes pela posição tomada hoje. Só reforça a minha admiração por ele! É inaceitável que algum parlamentar vote a favor de uma PEC que dá calote em professor e libera dinheiro pra comprar deputado.” – Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

PDT de São Paulo

O presidente do diretório municipal da cidade de São Paulo, Antonio Neto se manifestou em apoio ao ex-ministro e divulgou um comunicado oficial.

“Ao meu amigo e irmão Ciro Gomes, minha irrestrita lealdade. Ciro mostrou, mais uma vez, que sua coerência é inegociável e que jamais irá se omitir nem ser sócio dos erros, por mais que doa.” – Antonio Neto, presidente do PDT de São Paulo

Manifesto em defesa de Ciro

No fim da tarde desta quinta-feira (05), dezenas de movimentos, grupos e canais de apoio ao Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND) e à pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) à presidência da República divulgaram um manifesto onde declaram apoio à postura de Ciro Gomes.

“Acreditamos que a PEC aprovada em primeiro turno ontem, apelidada de #PECdoCalote, vai contra tudo o que lutamos nos últimos quatro anos.” – Manifesto de apoiadores do PND

Deixe uma resposta