Mais Opinião retorna com série sobre o desmonte do patrimônio e soberania do Brasil

Na noite de terça-feira (05) tivemos o retorno da série de entrevistas Mais Opinião aqui em São Paulo. Gilberto Bercovici, professor titular Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, foi o convidado da re-estréia do programa que contou ainda com a participação do presidente municipal do PDT na capital, Antonio Neto e de Gabriel Cassiano, presidente da JS na cidade.

O Mais Opinião volta com uma série de entrevistas intitulada “Desmonte Nacional” onde abordaremos por diferentes perspectivas a destruição do Estado brasileiro pela agenda entreguista que domina o país.

O debate começou por onde deveria, o legado de Getúlio Vargas, sob grave ataque desde o momento em que o ex-presidente sentou pela primeira vez na cadeira da presidência no Palácio do Catete, suas conquistas estão sendo dilapidadas em grau sem precedentes no últimos anos através de privatizações, subjulgamento à agenda norte-americana e destruição de direitos trabalhistas, para citar alguns pontos.

“O Brasil só existe do modo como se estruturou desde o século XX graças a Getúlio, ele montou o Estado brasileiro, a estrutura social, a estrutura econômica, a estrutura jurídica e tudo isso acontece a partir da revolução de 30 e obviamente do trabalho de Getúlio que se seugue com seus sucessores, em especial, Juscelino e Jango.”afirmou Bercovici.

Gilberto Bercovici ainda salienta que o mesmo ódio a esse Estado construído por Getúlio que emana das elites brasileiras hoje sempre esteve presente. É o mesmo ódio que tentava impedir Getúlio de permitir a organização dos trabalhadores, a construção de uma indústria nacional forte, que o retirou do poder em 1945 e que causou o caos político que resultou em seu suícidio.

Dito isso não é de se espantar os movimentos de entrega do país que se desenham desde o breve governo Temer e a jovem mas extremamente nociva agenda de Bolsonaro.

O debate continuou com uma análise do “milagre econômico” ocorrido durante a ditadura brasileira, com crescimentos na média de 10% ao ano mas uma elevada concentração de renda e fim de direitos básicos de expressão, organização sindical, etc.

Para Bercovici os militares conseguiram surfar na onda criada pela industrialização promovida por Getúlio ao mesmo tempo em que desvalorizavam as empresas realmente nacionais em detrimento de multinacionais. “esse suposto nacionalismo do exército brasileiro é extremamente questionável” completou o professor ao comentar o período.

Mas é a partir do fim desse ciclo ditatorial, em especial no início dos anos 90 com a eleição de Collor e a entrada da pauta neoliberal no mundo que o processo de destruição do patrimônio e soberania nacional toma contornos dramáticos.

“Todo esse discurso sobre governabilidade, que o governo gasta muito, gasta mal e que as leis trabalhistas atrapalham o ambiente de investimento no país começa aí.” completou Bercovici sobre o reinício do período democrático no país.

Gilberto passa então a dissecar a política econômica dos governos desde a redemocratização, desde o fracasso de collor até a deposição de Dilma e ascensão de Bolsonaro, passando pela onda privatizadora de FHC e o governo Lula.

FHC chega ao poder apoiado pela mídia e elite carregado pelo sucesso do plano real que mesmo com seus equívocos foi extremamente importante para a estabilização de uma economia arrasada por altíssimas. Munido de uma carta branca o governo tucano inicia um período de entrega do país, mas ainda assim poupa pontos estratégicos como a mineração da Vale do Rio Doce e o petróleo da Petrobrás, preservando assim algum senso de soberania nacional.

Passamos então para um momento histórico e cheio de expectativas que nunca chegarama se concretizar com a eleição de Lula, um operário e líder sindical.

“É irônico como Lula, mesmo vindo da indústria, não tinha um plano de industrialização para o Brasil.” afirma Gilberto.

Um momento de grande distribuição de renda, obras faraônicas que não trouxeram grandes resultados mas um período onde bancos e o setor privado, em geral, ganharam como nunca. O professor frisa como o cenário de Lula se repete nos 2 mandatos de Dilma Rousseff com a nomeação de notórios liberais para os cargos estratégicos da economia, mas possuem o agravante de uma economia desacelerada, erros do passado cobrando seu preço, além dos escândalos de corrupção e a campanha à todo vapor entre judiciário, elite e mídia para derrubá-la e colocar fim a um ciclo recente de governos progressistass no país.

É nesse cenário onde entra Michel Temer, com uma agenda de venda dos ativos do país já muito bem construída e que tem início com os leilões do pré-sal e aeroportos e se concretiza de maneira mais agressiva agora sob julgo de Bolsonaro e seus ministros da privatização e economia, Paulo Guedes e Salim Mattar.

Um plano elaborado para a privatização de mais de 17 empresas nacionais, entre elas os Correios, BR Distribuidora e Eletrobrás. O corte grave de direitos trabalhistas, iniciado ainda por Temer com a reforma trabalhista que agora ganha contornos novos com o atual governo que prevê a destruição da organização sindical e da justiça do trabalhos.

E a cereja do bolo neoliberal a entrega da Previdência de 200 milhões de brasileiros nas mãos dos bancos a Reforma da Previdência já aprovada na Câmara dos Deputados e em vias de ser aprovada no plenário do Senado.

É essa luta incessante contra qualquer tentativa de se construir um Projeto Nacional de Desenvolvimento que dê independência econômica e social ao povo brasileiro que é o foco principal das elites nacionais e internacionais desde que nos entendemos como país. Deve ser esse projeto então o nosso foco, resgatar valores de quem realmente tentou construir esse Brasil industrializado e auto-suficente e modernizá-la para os nosso tempo atual.

Se gostou do assunto, aproveita para assistir a aula completa aqui, tem muito mais conteúdo por lá e fique de olho para os próximos episódios da série Mais Opinião – Desmonte Nacional, as transmissões ocorrem quinzenalmente através de nossa página no Facebook e do Youtube oficial do Partido, corre e se inscreve lá.

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