Atletas Olímpicos debatem o cenário dos Esportes em São Paulo durante evento do PDT-SP da Capital

Na sexta-feira (29) o PDT-SP da Capital sediou um evento extremamente atual e importante, se reuniram no partido junto da militância e quadros executivos 3 atletas olímpicos brasileiros para discutir a situação atual e o futuro dos Esportes e do Lazer na capital paulista.

O evento organizado pelo Observatório da Cidade contava com uma apresentação sobre os dados levantados nos âmbitos do Esporte, Lazer e Cidadania na cidade de São Paulo.

A mesa formada por Keila Costa, atletista com 4 olimpíadas no currículo, Joana Costa e Jefferson Sabino, ambos com 2 participações nos Jogos Olímpicos e diversos títulos nacionais e internacionais foi uma aula sobre a realidade crua da prática de esportes no Brasil para além das telas de televisão e contratos milionários que apenas alguns atletas em seletos esportes alcançam.

Para completar o time de especialistas se juntaram Paula Costa, educadora participante na formulação do currículo de Educação Física da Prefeitura de São Paulo nas duas últimas gestões e Arthur Salles, jornalista esportivo que desenvolve importante trabalho mapeando a realidade de centenas de milhares de jovens que tentam a sorte no futebol, bem distantes dos brilhos e luxo dos gramados da Série A e da Europa.

Além dos atletas a mesa de debate contou com a presença do coordenador do Observatório da Cidade, Vitor Imafuku e do coordenador do GT de Esportes, Lazer e Cidadania, Zé Ribeiro.

O Observatório da Cidade, é o núcleo de inteligência e estatística, criado em uma parceria do Diretório Municipal do PDT e da Fudação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, voltado para a análise e captação de dados relacionados às principais pautas da cidade de São Paulo. O projeto tem como intuito auxiliar a formulação de políticas públicas e as tomadas de decisão do PDT e da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini na maior cidade do país.

Dados preocupantes não só entre o esporte de alto nível mas também na questão de práticas esportivas pela população em geral foram dissecados pelo coordenador, Zé Ribeiro e os convidados que ilustravam cada dado da pesquisa com relatos reais vivenciados ao longo de anos na área.

São Paulo ocupa a última colocação dentre as capitais brasileiras no quesito de prática de esportes nos horários de Lazer, com 36% da população apenas. Entre as mulheres esse número se torna ainda mais dramático, com apenas 26% das mulheres realizando alguma atividade física. Além das questões de saúde pública envolvidas esses números são carregados de reflexos da segurança pública, jornadas de trabalhos extensas e faltas de espaços públicos destinados a prática de esportes na capital.

Keila Costa, quatro vezes representante do Brasil no salto triplo em Olimpíadas, conta que durante sua infância em Recife onde iniciou a vida no esporte através de um Projeto Social a situação não era muito diferente. “Era uma das poucas meninas treinando e foi graças a minha mãe que continuei a praticar, muitas pessoas tinham medo de que na verdade a prática fosse fachada para algo como prostituição e afins. Para meu pai então, lugar de mulher era em casa, ajudando nas tarefas.”

O mesmo quadro é visto diariamente pela educadora Paula Costa no CEU onde dá aulas na periferia de São Paulo. As meninas são uma parcela reduzida das turmas que praticam algum esporte, seja por medo da violência ou por serem impedidas pelas famílias.

Jefferson Sabino, 4 vezes Campeão Sul Americano de salto tripo, falou sobre a dificuldade em se manter praticando esportes em um país que pouco investe nos seus talentos, lembra que durante o início dos treinos em Guarulhos (SP) contava apenas com uma ajuda de custo para o transporte até o centro de treinamento e que isso fez com que diversos de seus mais de 30 companheiros de atletismo abandonassem a carreira.

“Em um período cortaram inclusive o vale-transporte e eu tinha decidido abandonar o esporte, era jovem queria comprar minhas roupas, ganhar algum dinheiro e foi somente graças a insistência de minha família que continuei treinando. Para um jovem de periferia a impressão é que os estudos se resumem ao segundo grau, depois disso é trabalho. Quando eu iria imaginar que depois de uma carreira de sucesso no atletismo teria feito faculdade?” completou Jefferson.

Joana Costa, atleta do salto com vara, seguiu uma trajetório diferente mas muito comum para atletas nacionais. Iniciou no esporte também através de um projeto social e através dele conseguiu uma bolsa de estudos nos EUA onde vivenciou uma estrutura completamente diferente para a formação de atletas e cidadãos.

“Além de competir tinhamos que manter o desempenho nas aulas regulares, para isso a instituição disponibilizava tutores especialmente voltados para orientar os jovens atletas.” conta Joana ao relembrar o início da carreira.

A história desses profissionais se mistura com a de milhares de brasileiros que tentam a vida como atletas de alto rendimento no país mas com uma diferença, eles chegaram ao topo de suas carreiras mesmo com todas as adversidades. E é estudando os outros 99% que Arthur Salles dedica boa parte de seu tempo, com um estudo voltado aos atletas de futebol no pais que ficam distantes dos contratos milionários e de patrocinadores.

“Temos que lembrar que antes de atletas esses jovens são cidadãos e crianças. Poucos são os que se quer têm alojamento providenciado por seus clubes e grande parte deles jamais chegará ao alto escalão do futebol. Temos que nos preocupar com as oportunidades de futuro e as condições de vida que damos a esses jovens.” afirma o jornalista.

O estudo elaborado pelo Observatório da Cidade possui algumas centenas de páginas com dados que vão da prática esportiva de alto nível até o esporte como lazer e prática cidadã que é direito de todo brasileiro.

Se quiser acompanhar como foi o debate na íntegra assista aqui mesmoa gravação do evento.

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